Não entendo. Isso é tão vasto que ultrapassa qualquer entender. Entender é sempre limitado. Mas não entender pode não ter fronteiras. Sinto que sou muito mais completa quando não entendo. Não entender, do modo como falo, é um dom. Não entender, mas não como um simples de espírito. O bom é ser inteligente e não entender. É uma benção estranha, como ter loucura sem ser doida. É um desinteresse manso, é uma doçura de burrice. Só que de vez em quando vem a inquietação: quero entender um pouco. Não demais: mas pelo menos entender que não entendo.
Ah, Clarice, você entende o que não entendo!
O maior erro do ser humano é querer tentar entender outra pessoa sem nem mesmo se entender completamente. Entender porque a gente sente algumas coisas sem sentido, porque queremos algo que parece impossível alcançar. Já aprendi que o impossível não deve constar em meu vocabulário, mas não entendo porque essa palavra continua a me perseguir em alguns momentos cruciais de minha vida. É preferível não entender a entender com dúvidas. É preferível ser inteligente e não entender! É necessário deixar acontecer e o desenrolar que aconteça por si só e explique esse inintendível. Mas nunca tente entender o inintendível! Você pode acabar mais perdido do que está agora nessas meias palavras estranhas que acabei de escrever.
'á.~*








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